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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Kraftwerk — Der Katalog 3D — Uma imersão áudio visual pós-moderna.



Contendo os 8 álbuns principais gravados a vivo e divido em diversos formatos, o Katalog 3D (Kling Klang, Parlophone/Warner - 2017), é o trabalho mais completo e detalhado que o grupo alemão já produziu desde quando surgiram na tão prolifera década de 1970.

As apresentações para o Katalog foram realizadas durante os anos de 2012 até 2016 em diferentes lugares como museus e galerias de arte, deixando de fora os grandes festivais, prevalecendo assim, o conceito artístico criado pelo grupo europeu.

O quarteto já havia lançando no ano de 2005, o DVD duplo chamado Minimum-Maximum, o primeiro registro de suas apresentações, porém o 'catálogo' se apresenta com um produto mais integral e extenso, se comparando ao anterior. 

O kraftwerk é umas das poucas bandas desse período (década 1970) que ainda se mantêm em atividade artística, apresentando algum tipo de material com relevância para o mercado de música pop. E uma de suas principais características, é a forma como o grupo vêm se reinventando através de todos esses anos.

Essas constantes atualizações permite que o quarteto mantenha viva as ideias que criaram e desenvolveram em décadas passadas. Uma linha de pensamento que sustenta a contemporaneidade de suas músicas, que sempre abordaram a relação entre o homem e a máquina, além das inevitáveis e sempre constantes alterações que a sociedade passa. E o que chama a atenção no que o kraftwerk produz, é a visão que o grupo possui de todas essas mudanças que ocorrem no cotidiano.

Nos discos do Katalog, vemos o quarteto passando a limpo, toda a sua história musical, em ordem cronológica, com uma recriação à altura das gravações originais. O grupo utilizou de uma abordagem mais minimalista nesse novo disco ao vivo, que não difere muito de suas apresentações, já que o grupo é rigoroso se tratando de qualidade de áudio e vídeo além da performance. Praticamente o que se assisti no Katalog, é o mesmo que grupo faz no palco.

Aproveitando o bom uso dos recursos de imagens em alta qualidade e da terceira dimensão, o kraftwerk consegue transpor para o espectador uma verdadeira experiência de imersão artística áudio/visual, que muito dessa capacidade, se deve ao trabalho minucioso e cheio de detalhes que os músicos tanto mantêm.  Mesmo que for assistir ao catálogo e não dispuser do recuso em 3D, o grupo permitiu a opção do tradicional 2D.

Tanto na versão para Blu-ray quanto para os CDs e vinis, o kraftwerk resolveu em sua mixagem de áudio, suprimir e não utilizar o som da audiência; praticamente não se escuta os gritos e aplausos dos fãs em nenhum momento. Algo pouco utilizado em discos ao vivo. O que deixa tudo um tanto frio para quem o escuta.

Audiófilos (pessoas aficionadas por alta definição em áudio) irão apreciar os diferentes formatos que o Katalog foi gravado, que está registrado no tradicional Estéreo 2.0, chegando até ao Dolby Atmos 5.1, passando por outros como Headphone Mix, Surround 3D e KlingKlang Mix.

Em resumo, o Katalog 3D é: 4 discos em Blu-ray, sendo dois deles contendo somente as animações  que o grupo usa em suas apresentações; 8 CDs e 8 vinis com os álbuns recriados ao vivo; um livro com mais de 236 páginas com fotos inéditas e mais uma camiseta exclusiva para quem for comprar pelo site oficial da banda. Também há uma edição simples de todo esse material em DVD.

Como o grupo é fechado em relação à divulgação do que produzem, e tendo uma grande cobrança por material ao vivo/novo, o Katalog é um grande deleite para todos os artistas que foram influenciados pelos sons criados por esses alemães, e principalmente aos fãs, que até hoje mantêm a energia da usina de força sempre ativa.

E dificilmente, algum outro artista ou grupo musical, seja ele clássico ou novo, irá produzir algum tipo de trabalho tão amplo e detalhado, com obras de importância em relação à sociedade, mesmo que seja de uma forma implícita. 

O Katalog 3D fecha de forma correta a fase clássica dos músicos pós-modernos alemães, que abriram um novo caminho na música pop, e também encerra o ciclo iniciado durante a década de 1970, além de deixar em aberto um novo trajeto que o grupo pode trilhar pelos próximos anos, uma inquietação que até hoje gera uma grande curiosidade entre os fãs e admiradores do grupo.

Em tempo, boa audição.






terça-feira, 15 de maio de 2012

Sónar 3D




Vídeo de 13 minutos com o resumo da apresentação surpresa do Kraftwerk no Brasil

quinta-feira, 1 de março de 2012

Kraftwerk at MoMA


Mostra leva Kraftwerk de volta para o futuro

Banda alemã tocará cada um de seus LPs em retrospectiva no MoMA de Nova York

Jon Pareles - The New York Times

Linhas de sintetizador repetitivas e pulsantes. Vozes robóticas. Isso é boa parte da música pop de 2012 — e era também o som, lá em 1974, do Kraftwerk, uma banda alemã que hoje pode dizer, com segurança, que viu o futuro. Com uma visão muito à frente do seu tempo, o Kraftwerk (termo em alemão que quer dizer “usina de força”) se instituiu nos anos 1970 como “o homem-máquina”, casando o impulso humano com a inflexível eletrônica na forma de ciborgues impassíveis. O grupo pode se afirmar como fundador do synthpop, da dance music eletrônica e até do hiphop.

As imagens geométricas estilizadas das capas de seus discos e dos seus shows misturaram de forma elegante ficção científica e retrofuturismo. Agora, o Museu de Arte Moderna (MoMA) apresenta a mostra “Kraftwerk —Retrospective 1 2 3 4 5 6 7 8,” de 10 a 17 de abril, com a banda tocando cada um de seus LPs — de “Autobahn” (1974) a “Tour de France soundtracks” (2003) — ao longo de oito noites.

O Kraftwerk já tinha uma carreira em 1974, quando uma edição de quatro minutos de sua canção “Autobahn” (que originalmente tem 22 minutos) se tornou um improvável sucesso mundial. A banda era parte de um movimento alemão conhecido como krautrock.

Seus primeiros discos traziam faixas longas e improvisadas, que uniam minimalismo e psicodelia, e tinham uma flauta tocada por Florian Schneider, que fundou o Kraftwerk com o tecladista Ralf Hütter (hoje, único membro original ainda na banda). “Autobahn” foi o ponto de virada, com a opção pela eletrônica, pela repetição e pelas letrascalmas e ambíguas.

Ao longo dos anos , o Kraftwerk falaria sobre transportes e tecnologia — uma rodovia, um trem, uma calculadora de bolso, um computador pessoal... — e deixaria seus ouvintes decidirem se eles estavam celebrando, ironizando ou alertando sobre os perigos de seus tópicos. No PS1, equipamentos antigos Seus instrumentos, que eram avançados, hoje parecem primitivos: sintetizadores analógicos e uma limitada bateria eletrônica. Mas o Kraftwerk foi se atualizando, incorporando sintetizadores digitais, animação computadorizada e artefatos de palco como os robôs que replicam os integrantes da banda.

Os shows do Kraftwerk serão no átrio principal do museu, onde cabem 450 pessoas. Eles terão cenários, vídeos em 3-D e alguma improvisação musical. Enquanto isso, a mostra com os equipamentos antigos de áudio e vídeo da banda — robôs incluídos — será incorporada a uma instalação visual e sonora no Performance Dome do MoMA PS1, de 10 de abril a 14 de maio.