Ralf Hütter, nascido em 20 de agosto de 1946, moldou a música pop internacional com o Kraftwerk como poucos outros alemães. Aqui ele conta sua história.
Entrevista: Christoph Amend
Die Zeit: Sr. Hütter, o senhor nasceu em 20 de agosto de 1946. Qual é sua primeira lembrança consciente?
Ralf Hütter: Quando crianças, a gente coletava bitucas de cigarro na sarjeta para os cachimbos brancos de São Martinho que vinham com os "Weckmänner" [bonecos de pão doce], o doce que era distribuído às crianças. Quando juntávamos tabaco suficiente, fumávamos com os cachimbos de São Martinho até passar mal. (risos)
Die Zeit: O senhor cresceu em Krefeld e frequentou uma escola Waldorf – algo incomum para os anos 1950.
Hütter: Foi por acaso. Meninos e meninas na mesma turma, naquela época isso ainda era rigorosamente separado. Havia disciplinas abertas na escola: pintura, desenho, trabalhos manuais, costura e tricô, euritmia, jogos, representações, expressão oral e música.
Die Zeit: E o senhor também fez música cedo?
Hütter: Tive aulas de piano, mas não conseguia aprender ali a música que realmente me interessava. Essa só existia no rádio ou em discos. Pop, rock 'n' roll, jazz, rhythm and blues. Vivíamos no setor britânico e, por isso, podíamos ouvir a BFBS, a rádio das forças armadas. Como estudante de intercâmbio, aprendi inglês e, da melhor forma que podia, escrevia as letras das músicas que ouvia no rádio. Foi assim que entrei nesse mundo.
Die Zeit: Qual era sua música preferida?
Hütter: Rhythm and blues, principalmente, John Lee Hooker, por exemplo. Mais tarde, também o vi ao vivo. A agência Lippmann & Rau organizou o American Folk Blues Festival no início dos anos 1960 – e trouxe para a Europa os músicos americanos que tocavam no rádio.
Die Zeit: Quis ser músico profissional ainda na adolescência?
Hütter: Não pensei nisso, durante muito tempo não tive qualquer desejo profissional. Estudei arquitetura, cheguei a concluir o exame intermediário, mas quanto mais a música se tornava importante, mais o curso ficava distante.
Die Time: Sua primeira apresentação foi no Creamcheese, um clube em Düsseldorf.
Hütter: O Creamcheese abriu em 1967 e, no aniversário em 1968, tocamos lá pela primeira vez. Eu e o Florian Schneider nos conhecido antes na Academia em Remscheid, nos entendemos imediatamente e improvisávamos muito juntos, essa foi sempre nossa força.
Die Zeit: Lembra como foi a apresentação?
Hütter: Pouco. Tinha um estroboscópio funcionando durante horas, como todas as noites. A apresentação foi bem recebida e, a partir daí, nossa música começou a ser comentada. Até recebemos algum cachê pela noite, o que foi bom.
Die Zeit: O Creamcheese estava intimamente ligado ao meio artístico...
Hütter: Sim, na entrada havia uma escultura de pregos de Günther Uecker, tinha uma pintura mural de Gerhard Richter e uma instalação com monitores de TV em preto e branco de Nam June Paik. Via-se o Joseph Beuys à noite no centro histórico jogando pebolim. A gente ficava na máquina de pinball. O Sigmar Polke estava lá, ele era meu amigo. Tinha um humor transcendental, eu gostava disso, não superficial, mas sutil.
Die Zeit: Esse tipo de humor sutil também se percebe no Kraftwerk: mais tarde, chegaram a se substituir por robôs no palco.
Hütter: Para mim e para o Florian, era importante que houvesse vários níveis na arte. O Nam June Paik, aliás, muitos anos depois, fez uma enorme parede de vídeo em Nova York com nossas figuras robóticas, com o vídeo de computador para nosso tema Musique Nonstop, e de repente estávamos no jardim eletrônico.
Die Zeit: Em 1981, foi publicada uma entrevista com o senhor na revista de cultura pop Elaste. O entrevistador pergunta surpreso: "Em Tóquio, Londres ou América, os shows do Kraftwerk esgotam meses antes. Aqui no Rotation em Hannover estava hoje meio vazio." E o senhor responde: "Também não conseguimos explicar muito bem." Será que não o compreenderam na Alemanha no início?
Hütter: Compreenderam, sim, mas o círculo era menor, isso só mudou mais tarde. Nossa primeira turnê alemã em 1975, depois da nossa turnê americana, ou seja, depois de Autobahn ter saído...
Die Zeit: ...seu primeiro grande sucesso...
Hütter: ... foi planejada em conjunto com o Fritz Rau, o promotor de shows. Escolhemos as cidades e imprimimos os cartazes. Depois, a turnê teve que ser cancelada por falta de interesse do público. Ainda tenho os cartazes.
Die Zeit: Muitas estações de rádio alemãs não tocavam Kraftwerk, aparentemente também por causa do nome da banda, que na época causava estranhamento.
Hütter: O único que nos tocava naquela época era o Winfrid Trenkler da rádio WDR, uma lenda da música eletrônica em Colônia. Ele apoiou o Kraftwerk e a música eletrônica desde o início. Também tocava nossos temas mais experimentais, muito antes de Autobahn.
Die Zeit: Nos primeiros anos, se apresentaram principalmente em clubes e galerias, não foi?
Hütter: Em porões de jazz, clubes da juventude e centros culturais por toda a região do Ruhr, no centro histórico de Düsseldorf. Importante foi o Burkhard Hennen, de Moers, que nos trazia sempre ao seu "Röhre". Mais tarde, ele fundou o Festival de Jazz de Moers. Por outro lado, galerias e museus como a Kunsthalle Düsseldorf e a Galeria Hans Mayer em Krefeld nos contratavam. Hoje em dia, somos representados pela galerista Monika Sprüth e pela Galeria Sprüth Magers, que apoiaram, entre outros, nossos shows de 2012 no MoMA em Nova York.
Die Zeit: Diz-se que, nos primeiros anos, o senhor mesmo ia para a pista de dança durante as apresentações.
Hütter: Isso foi numa performance no Museu Abteiberg em Mönchengladbach, com o diretor Johannes Cladders. Em 1970, para meu órgão elétrico, eu tinha uma máquina de ritmos que podia tocar ao vivo com pequenas teclas ou deixar continuar com ritmos programados. O meio artístico nos apoiou desde o início nessas experiências, havia um clima incrível de despertar, um interesse pelo novo. Isso foi de 1968 até o início dos anos 1970.
Die Zeit: E de repente, não houve mais apresentações ao vivo do Kraftwerk.
Hütter: A partir do início de 1977, depois de Trans Europa Express, não nos apresentamos ao vivo durante quatro anos. Em 1978, saiu o álbum Die Mensch-Maschine, não podíamos tocar aquela música ao vivo. A técnica só funcionava no estúdio. Mas desenvolvemos uma performance para programas de televisão, para o Musikladen na Alemanha ou para apresentações na Itália, França, Bélgica. Era playback, e nossos robôs eram ainda manequins de vitrine, que colocávamos na primeira fila do público.
Die Zeit: Isso era arte performática.
Hütter: Para Die Roboter (The Robots), escrevi estas linhas em 1978: "Carregamos nossa bateria / Agora estamos cheios de energia / Estamos programados pra tudo / E o que você quiser, será feito / Funcionamos automático / Agora queremos dançar mecânico". E tudo também em inglês.
Die Zeit: O senhor começou a misturar idiomas muito cedo, o que era incomum na música pop da época.
Hütter: Percebemos que isso funcionava na nossa apresentação americana em meados dos anos 1970. Falo francês e inglês, e na escola também tive dois anos de russo: "Ya tvoi sluga / Ya tvoi rabotnik" ["Eu sou seu servo / Eu sou seu trabalhador"].
Die Zeit: A linha em russo de The Robots.
Hütter: Uma homenagem à arte robótica do futurismo, que também veio da Rússia. Schaufensterpuppen ["Manequins de Vitrine"] tinha escrito um ano antes de Robots.
Die Zeit: Manequins, robôs: como é que o senhor foi buscar isso, afinal?
Hütter: Através do dia a dia, sempre transformei situações cotidianas em textos. Para o design do interior do primeiro álbum do Kraftwerk, em 1970, o Bernd e a Hilla Becher tinham me dado a fotografia deles de um transformador. A Sra. Becher me ofereceu a foto.
Die Zeit: Na capa do primeiro álbum do Kraftwerk via-se outro objeto do cotidiano, um cone de sinalização laranja e branco.
Hütter: Esse o Florian tinha pego emprestado numa obra da rodovia. (risos) Nos pequenos clubes, nossos instrumentos eletrônicos e alto-falantes estavam muito perto do público. Para que as pessoas não tropeçassem neles, colocamos os cones de sinalização. Como um canteiro de obras eletrônico. A partir daí, desenvolvi o primeiro logotipo do Kraftwerk.
Die Zeit: Temos que falar novamente sobre sua canção Autobahn de 1974. Foi através do sucesso nas rádios universitárias americanas que o senhor foi para os EUA naquela época. Será verdade a história de que muitos americanos pensavam que vocês cantavam "Fun, Fun, Fun auf der Autobahn"?
Hütter: É possível. (sorri) Nossa linha não é uma citação direta dos Beach Boys, é antes uma poesia fonética de kling-klang, uma cantilena. Mas para ouvidos americanos, soa naturalmente parecido. Para a gravação, tivemos que parar após apenas 20 minutos, porque o disco de vinil acabava aí. Ao vivo, chegava a durar 40 minutos. Autobahn é, no fundo, música sem fim. Eu e o Florian tocamos isso na história do Kraftwerk com muitos técnicos de estúdio e músicos ao vivo.
Die Zeit: Em relação aos músicos que Florian Schneider e o senhor contrataram para integrar o Kraftwerk, e à participação deles no som da banda, sempre houve discussões no passado, também lideradas pelos próprios ex-músicos. O senhor se manteve reservado publicamente sobre isso.
Hütter: Sim. Há muitas fábulas.
Die Zeit: O senhor sempre conseguiu deixar isso passar por si – como numa viagem de rodovia?
Hütter: É preciso, provavelmente. Temos que nos concentrar no nosso trabalho e continuar. Ou, como se diz na Renânia: Nem sequer ignorar.
Die Zeit: Sua infância e juventude ocorreram nos primeiros anos da jovem República Federal. Falava-se da chamada "hora zero", um conceito historicamente controverso. Mas para sua música, essa orientação foi marcante: era para frente, para o futuro.
Hütter: Sem dúvida. Sabíamos, claro, dos excitantes anos 1920, e sabíamos também o que tinha sido destruído nos doze anos seguintes. Eu e o Florian crescemos já como europeus, nos anos 1950, estávamos constantemente em intercâmbio escolar durante as férias de verão em famílias anfitriãs na França e Inglaterra. Aos doze anos, inicialmente só falava francês, escrever só aprendi depois. Também compus poemas em francês, Les Mannequins e todas as letras do álbum Tour de France. Taschenrechner ["Calculadora de Bolso"] também cantei em inglês, francês, italiano, polonês, russo, japonês. Para os shows, aprendi as letras foneticamente de cor. Quando jovens, eu e o Florian aprendemos a estabelecer símbolos para o entendimento entre os povos. Isso parece, hoje em dia, às vezes, cair no esquecimento.
Die Zeit: Sua canção Trans Europa Express de 1977 também fala disso, é uma homenagem à Europa.
Hütter: Nós viajamos mesmo nesse trem! Nossa gravadora francesa alugou um vagão TEE para a apresentação do álbum, com o qual viajamos de Paris para Reims, na Champagne, para as caves de espumante de lá. A viagem de volta foi à altura, hoje não dá mais pra imaginar isso. A propósito, não bebo champanhe, provavelmente bebi suco de maçã.
Die Zeit: Em 1977, por ocasião do lançamento de Trans Europa Express, o senhor esteve também em Nova York e foi aos clubes...
Hütter: Uma noite, eu e o Florian estávamos no Studio 54. Depois, um funcionário da nossa gravadora nos levou a um clube after-hours no Bronx. Eu e o Florian estávamos na pista de dança e, de repente, ouvimos o DJ tocando Trans Europa Express e Metall auf Metall, aquilo durou 15 a 20 minutos, muito mais do que no nosso disco. Ele mixava e fazia scratching com dois discos em dois toca-discos. O DJ era o Afrika Bambaataa.
Die Zeit: A hora zero do hip-hop.
Hütter: Depois, demorou mais cinco anos até sair Planet Rock.
Die Zeit: ... que, como se sabe, se baseia em Trans Europa Express e Numbers. Cinco anos – hoje em dia não dá mais pra imaginar uma coisa dessas.
Hütter: Hoje, tudo acontece num instante, antigamente as coisas podiam se desenvolver. Agora, há tantas imagens digitais, as experiências também passam num instante.
Die Zeit: No entanto, com Kraftwerk, o senhor previu o futuro digital em que vivemos hoje, em 1981 – com seu álbum Computerwelt.
Hütter: Para nós, isso era o presente naquela época.
Die Zeit: Apesar de o senhor ainda não ter computador?
Hütter: Para a turnê de 1981, tivemos nosso primeiro Atari, mas já dava pra perceber o início antes. O BKA [Polícia Criminal Federal] trabalhava com pesquisa por coordenadas...
Die Zeit: ... que também era chamada de "Comissário Computador". Eram os anos do Exército Vermelho, do grupo terrorista de extrema-esquerda.
Hütter: À noite, no carro, éramos frequentemente abordados pela polícia em Düsseldorf. "Bom dia", dizia eu então, "sou músico, venho do trabalho". Depois podíamos seguir. Uma vez, também vieram ao estúdio Kling Klang, porque um vizinho tinha chamado, embora tivéssemos tudo bem isolado. No apartamento do Florian, as forças especiais armadas também subiram pela fachada, pela sacada. Era preciso acalmar a situação: "Fazemos música, compomos, desenhamos e escrevemos letras."
Die Zeit: O mundo computacional era, portanto, já presente para o senhor no final dos anos 1970, mas o senhor só usou computadores para fazer música mais tarde?
Hütter: Em 1976, tinha um sequenciador analógico para controlar meu sintetizador Minimoog. Esse sequenciador analógico Synthanorma foi construído para mim por amigos do Synthesizer-Studio Matten & Wiechers em Bonn. Com ele, definia ritmos e programava melodias. Música automatizada sempre me interessou: música que se toca a si mesma. Às vezes, deixava os loops infinitos continuando enquanto íamos buscar pizza. Quando voltávamos, o som tinha mudado. Dava pra trabalhar de forma muito criativa. Computerwelt tocamos ao vivo em 1981. Muitos outros temas dessa época, no entanto, só podemos tocar ao vivo desde o início do século XXI; antes, a técnica simplesmente não estava tão avançada quanto as composições. É por isso que hoje em dia gostamos tanto de fazer shows ao vivo por todo o mundo. Só agora é que nossa música pode se tornar viva.
Die Zeit: Numa entrevista anterior, o senhor me respondeu à pergunta por que razão o Kraftwerk ainda fazem apresentações: "Mas é a minha vida."
Hütter: Também é verdade. A música é uma arte que se desenvolve com o tempo. Não se pode pendurá-la na parede. Um tema não é uma obra acabada como uma escultura. A música nunca está pronta.
Die Zeit: Eu o vi ao vivo pela primeira vez em 1997, no festival de techno Tribal Gathering na Inglaterra.
Hütter: Estava um frio glacial, com geada no chão. Nos ensaios de som, toquei com luvas.
Die Time: Antes da sua apresentação, as outras tendas foram fechadas, porque todos os DJs queriam vê-lo e ouvi-lo.
Hütter: O Juan Atkins e o Jeff Mills me contaram depois que queriam estar presentes. Foi uma grande honra para mim.
Die Zeit: Os dois músicos de Detroit são considerados co-inventores do techno e contaram muitas vezes que os Kraftwerk foram uma influência importante para eles. Mas vamos falar novamente sobre Florian Schneider. Sr. Kling e Sr. Klang – foi assim que vocês se chamaram durante muito tempo. No início de 2007, ele saiu do Kraftwerk.
Hütter: Sim, no final de 2006, o Florian tocou conosco pela última vez, em Saragoça, na Espanha. E um dia, em 2007, os instrumentos dele tinham desaparecido do nosso estúdio. Ele tinha ido buscá-los secretamente.
Die Zeit: Sem explicação?
Hütter: Sem comentários, sim. Ele se retirou espontaneamente. Já não se sentia bem de saúde há algum tempo, e eu aceitei isso.
Die Zeit: Mas após 39 anos juntos, nenhuma palavra?
Hütter: Claro que, na época, teria desejado algumas palavras. Cada um faz de um jeito, o outro de outro.
Die Zeit: Florian Schneider morreu em 2020. O senhor e ele se viram novamente uma última vez, pouco antes da morte dele, após muito tempo – e se reconciliaram. Está descrito corretamente?
Hütter: Pouco antes da morte dele, sim. Isso foi importante. Ele me escreveu, e a filha dele telefonou. Fui diretamente até ele, e nos reconciliamos.
Die Zeit: O que se diz num momento desses?
Hütter: Não muito. Criamos os Kraftwerk juntos, a partir do nada, não são necessárias grandes palavras.
Die Zeit: Diz-se que ele desejou que a notícia da sua morte fosse publicada pelos Kraftwerk, ou seja, através do senhor.
Hütter: Sim.
Die Zeit: Os Kraftwerk estiveram perto do fim após a saída dele?
Hütter: Não... em retrospectiva, não se sabe ao certo. Em 2007, já estávamos na construção do novo estúdio Kling Klang e com contrato para o Festival Coachella de 2008 na América. Decidimos então continuar com nossa equipe.
Die Zeit: O fato de até hoje fazerem turnês mundiais, no ano passado também novamente pela Alemanha: o senhor acredita que isso contribui para que os Kraftwerk ainda estejam presentes hoje?
Hütter: É, de qualquer forma, incomum.
Die Zeit: Por que o senhor continua até hoje?
Hütter: Não há boas frases para isso. Devo dizer: Não aprendi mais nada? (risos) Divulgaram tanta bobagem sobre nós, por exemplo, que pedimos aos nossos pais ricos, no Natal, uma bateria inteira de sintetizadores e que os recebemos...
Die Time: ... e que só por isso puderam ter tanto sucesso.
Hütter: Quando eu e o Florian, em 1970, com pouco mais de 20 anos, anunciamos aos nossos pais que iríamos abandonar os estudos e fundar nosso estúdio Kling Klang para nos concentrarmos na música, o cheque mensal de talvez 200 ou 300 marcos foi cortado para nós dois.
Die Zeit: Como é que se financiaram então?
Hütter: Com os shows nos pequenos clubes. Economizar para os sintetizadores. Meu primeiro Minimoog custou tanto quanto meu VW.
Die Zeit: Quando foi que seus pais perceberam o que o senhor estava fazendo?
Hütter: 1981.
Die Zeit: Tão tarde?
Hütter: Sim. Teve um show na Philipshalle em Düsseldorf, e eles puderam levar seus conhecidos. Ficaram felizes: Olha só aqui, nosso garoto! O mesmo aconteceu com o Florian: ele devia ser arquiteto e assumir o escritório do pai. Mas nós vivíamos num mundo completamente diferente. Nos clubes e no meio artístico, não encontrávamos ninguém que conhecêssemos do mundo burguês.
Die Zeit: O senhor faz música há quase sessenta anos. Em 2014, foi premiado com um Grammy pelo conjunto da obra. Como seria sua vida sem os Kraftwerk?
Hütter: Chata!
Fonte: Die Zeit
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